· atualizado em · Equipe Lucas
Como trocar de sistema hospitalar sem parar a operação
O medo de perder histórico mantém muita instituição presa a um sistema que não atende mais. Não precisa ser assim.
Trocar o sistema de um hospital é uma decisão que se adia por anos. O argumento é sempre o mesmo: “temos dez anos de prontuário lá dentro”. É verdade — e é justamente por isso que a migração precisa ser tratada como parte do produto, não como um favor do fornecedor.
Três perguntas antes de começar
- O que precisa vir? Nem tudo. Cadastros, convênios, carteirinhas, profissionais e o histórico clínico, sim. Logs e tabelas auxiliares, raramente.
- Quem valida? Cada área confere o que é dela: faturamento confere convênios e carteirinhas; enfermagem confere internações ativas e leitos; direção confere totais.
- Como se repete? Uma migração que só roda uma vez é uma migração que vai dar errado na virada. Ela precisa ser reexecutável sem duplicar nada.
Armadilhas que aparecem em todo legado
- Pacientes duplicados com grafias diferentes.
- Carteirinha guardada num lugar diferente do convênio da internação.
- Campos de texto livre com dados estruturados (e às vezes cifrados com chave antiga).
- Internações ativas apontando para pacientes marcados como inativos.
- Códigos de modalidade e regime que só o desenvolvedor original sabe o significado.
Nenhuma delas é impeditiva. Todas precisam ser descobertas antes da virada — e é para isso que serve o ensaio com relatório.
A virada
Com os ensaios batendo, a virada é um evento curto: congela o sistema antigo, roda a migração final, confere os totais por área, libera os perfis. O sistema antigo fica em modo consulta pelo tempo que a instituição quiser.